sexta-feira, 30 de maio de 2014

Milgram e a Obediência

Olá pessoal, como estamos? Eu estou com a semana mais louca da minha vida, tamanho a quantidade de trabalhos que tenho que fazer em um final de semana! Socorro! Hehe
Bom, e é por isso que venho em plena sexta-feira trazer um assunto muuuuito legal para vocês... Tcham, tcham... OBEDIÊNCIA. Sim!! Você se considera obediente? Obediente com os pais, com os professores, com as ordens médicas, com as regras sociais? Bom, eu me considero bem obediente. Não obedeço a tuuudo, claro. Mas obedece a figuras de autoridade, sempre obedeci, fui ensinada assim. “Não quebre regras! Não cometa crimes! Não desrespeite sua mãe! Obedeça o professor! Não fuja a moral!”, pois é, assim foi a minha educação, assim foi a da minha mãe, e assim a da minha avó. Obediência é tradição, mantém a ordem. E é nesse ponto que o texto vem tocar, na parte sensível da nossa obediência.
Milgram, um cientista social corajoso, nos anos 1960, pôs à prova a obediência extrema das pessoas. Stanley Milgram, este cientista irreverente, realizou um experimento que consistia na obediência das pessoas às ordens dadas por um pesquisador em um jaleco branco. O experimento seria pago na quantia de 4 dólares (soma grande na época), e não foi avisado nos anúncios que tipo de experimento seria este. Chegando lá, o voluntário se encontraria com outro e haveria um sorteio para definir os papeis na tarefa.
O experimento consistia em ter um dos voluntários que tirasse o papel de aluno no sorteio, sentado à uma cadeira elétrica e receberia choques de diversas voltagens (até o extremo fatal) a cada vez que errasse uma sequência de palavras que seria dada pelo voluntário que tirasse o papel de professor no mesmo sorteio. Este mesmo voluntário-professor aplicaria os choques no colega de experimento. Sinistro, né? Sim, 65% dos voluntários mataram o outro que estava acorrentado à cadeira.
Chocado? Calma, eu vou explicar. Ninguém matou ninguém, era uma encenação. Sim, parte de um experimento macabro que testaria as pessoas para ver até onde elas iriam tendo que obedecer a um homem de jaleco branco que dava ordens para continuar aplicando os choques mesmo quando a pessoa queria parar, afirmando que não haveria danos monstruosos.  Os choques eram de voltagens medidas para ratos, não afligindo realmente um ser humano. Mas tudo era extremamente real, já que o voluntário que tirava o papel de aluno em um sorteio “viciado” era um ator que gritava, se debatia, sofria, chorava, e pedia para parar. Bem “obscuro”, como a autora chama no texto. E mesmo assim, as pessoas foram tão cegas às ordens que mais da metade dos voluntários foram até o fim mesmo sabendo que a pessoa ali poderia morrer. Relaxem, 35% não foram. Ok, muito pouco, eu sei.
Agora, eu tenho certeza que você está pensando: EU NÃO IRIA! Sim, você iria.
“Mesmo hoje, quarenta anos depois que a lição de Milgram foi supostamente apreendida, as pessoas ainda dizem: ‘Não eu!’. Sim, você. O poder dos experimentos de Milgram, está, talvez, bem aqui na grande lacuna entre o que pensamos de nós mesmo e  quem realmente somos.”
É gente, o experimento mostrou. Não há dúvidas que há um distanciamento entre o que pensamos de nós mesmos e o que realmente somos e como lidamos com as situações mais inusitadas. E isso é realmente mostrado no texto quando a autora encontra dois dos voluntários ainda vivos e os questiona sobre suas personalidades e seus comportamentos no experimento. Joshua, ex-executivo e ex-militar, que já tinha atirado em pessoas e tinha discursos como “traficamos alguns japas” e etc, este foi um desafiador e PAROU em 150v. Sim, ele não obedeceu. Mas e essa personalidade meio “má”? Agora veremos o outro lado da moeda. Josh, era voluntário em cuidar de crianças, vivia uma vida simples, era uma boa pessoa, um bom vizinho, um bom amigo e homossexual não assumido... Pois Josh não parou, Josh foi até o fim. E não me venham com os seus discursos preconceituosos, no texto fica comprovado que não existe linha de comportamento que define quem para e quem continua. Josh, inclusive, mudou a sua vida e sua visão sobre a obediência após o teste, inclusive assumiu a sua homossexualidade. Orientação sexual inclusive é questão de obediência a sociedade, se a comunidade não aceita, a pessoa se esconde e continua vivendo uma vida de mentiras. Ser menos obediente é também assumir as suas verdadeiras essências.
Essa pesquisa de Milgram foi desenvolvida após o questionamento sobre porque os soldados nazistas matavam tanto no holocausto, por questão de obediência? Portanto, deixo aqui um filme maravilhoso, que foi levantado por MIM em sala de aula (se verem outro post falando sobre esse filme, a perspicácia foi minha, hunft) que trata exatamente da questão da obediência e como é fácil instaurar novamente o regime do fascismo através da autoridade. Extremamente interessante, emotivo e te deixa pensando sobre como nós somos, o que somos...


No texto também é colocado que Milgram foi crucificado por Bettelheim, um psicólogo austríaco famoso. Trago este ponto interessante, porque é exatamente este psicólogo que defende os contos de fadas reais e não o romantizado da Disney. Ele alega que nossas crianças precisam ter acesso aos contos de fadas horrorosos e macabros que eram. Esta mesma pessoa sádica crucifica um experimento também sádico? Vejam como não conhecemos a nós mesmo e custamos a nos descobrir...
Neste mesmo texto a autora fala que um compositor estava compondo uma música a respeito da obediência por conta do experimento de Milgram. E após fuçar esta linda ferramenta chamada internet, aqui está:


E agora eu acho que te deixei com alguma coisa para pensar. Eu sei que eu não sei realmente se eu iria até o final ou não, mas gostaria de descobrir. E você, acha que iria? É obediente até este ponto? E sobre a sua personalidade, você a conhece bem? Diz aí pra mim nos comentários e claro, leia o texto para fazer suas próprias impressões!

“Estou certo de que existe uma complexa base de personalidade na obediência e na desobediência. Mas sei que não a encontramos.”

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