sábado, 12 de abril de 2014

Prevenção de Suicídio e Abordagem de Rogers - Parte 1

Olá pessoal, como vocês estão? Espero que bem, pois o assunto dessa semana é polêmico e um taboo completo! Pois é, na nossa sociedade evitamos falar sobre qualquer coisa relacionada ao que possa vir a trazer uma discussão séria acalorada e com conceitos muito, muito “ignorantes” sobre certos assuntos. Um deles é o assunto dessa semana, o temido suicídio. Só de ouvir a palavra já sentimos um certo arrepio, né? Quem não conhece/conheceu uma pessoa que tentou ou conseguiu se suicidar? Acho que todos já acompanhamos por esta experiência ruim. No meu caso, além de já ter tido várias pessoas a minha volta que de fato concluíram o objetivo, ainda tive experiências de pessoas que narraram pela internet o seu intento.
Bom, o texto dessa semana não só é sobre o suicídio, mas também como é o trabalho do CVV – Centro de Valorização da Vida. Muitos podem não conhecer sobre o trabalho deste Centro, mas é importante que seja cada vez mais disseminado.
Enfim, vamos começar a resenha dessa semana. O texto vai nos mostrar o suicídio sob três visões diferentes: sociológica, em Durkheim; psicanalítica, com Freud; e humanista, Carl Rogers (que é a teoria adotada pelo CVV). De começo, teremos Durkheim definindo três tipos de suicídio e engavetando separadamente cada um deles. Primeiro, o suicídio egoísta: diz que a pessoa que comente suicídio não está incluída na sociedade e comete o suicídio pensando apenas nela mesma. Por exemplo, quando a pessoa não tem a proteção de ninguém, seja ela família, amigos ou mesmo religião. Algo parecido com isso é o que acontece com Alex, em One Tree Hill.

Alex tem aparentemente a vida perfeita, atriz rica de Hollywood, mas a partir de suas percepção de mundo, ela está completamente sozinha e não existe uma só pessoa na vida dela que se preocupe com o seu bem estar. 


Usarei muitos exemplos da série, não só porque eu fui 9 anos apaixonada por ela, mas porque tiveram muitos debates sobre o assunto.
                
              O próximo tipo para Durkheim seria o suicídio altruísta, que se consiste em morrer pelo bem do próximo, algo como os “homens-bomba” acreditam estar fazendo.

E assim, neste suicídio, o individuo não tem mais vontades, não se reconhece como sujeito de desejos, confunde-se com o todo, com o grupo, com a sociedade à qual pertence, como um animal que preserva sua espécie.
               
             Sim, na nossa cabeça e cultura, nós não entendemos como isso pode ser possível, mas para exemplificar algo bem próximo que possa ficar mais claro: alguém está sendo sofrendo por sua causa, portanto você morre no lugar dela. Bem Hollywood isso, mas acho que fica mais fácil ao entendimento.  
                Bom, e o último tipo para Durkheim, seria o suicídio anônimo: seria basicamente como o primeiro, mas neste caso o suicida culpa a sociedade em que vive por isso. A pessoa está inserida, porém sente que a sociedade lhe agride.

Este é um vídeo clássico de bullying, onde a pessoa narra que ninguém a ama e que a sociedade o despreza, e que não liga para mais ninguém. No minuto 5:01, teremos a parte onde ele afirma que só queria ser amado e logo depois se mata. 


                Teremos também o olhar de Freud, o psicanalítico, no qual teremos como protagonista, a melancolia. Nós usamos frequentemente esta palavra, mas não nos atentamos ao real significado dela, vamos ver?
1) Melancolia significa o estado de tristeza profunda e apatia  sentido continuamente por alguém. (dicionário)
2) Para Freud, a melancolia é um estado emocional semelhante ao processo de luto, mas não há a perda que o caracteriza. A melancolia pode ocorrer sem haver uma causa definida.
E para concluir:
3) No Romantismo, a melancolia era um estado emocional apreciado, pois representava uma experiência que enriquecia a alma.  (Seria basicamente a segunda fase do romantismo, a fase onde o sentimento de morte era muito abordado, a tristeza e descrença dos autores à qualquer coisa no mundo: amores, viagens, estudos, a vida, a religião, a família.)
                Como é para o olhar de Freud que vamos nos atentar, definiremos como a segunda explicação, a nossa agora. O luto, estado que a pessoa se encontra quando perde alguma coisa (e não só uma pessoa) é normal, a pessoa passa a lutar por novos horizontes. Porém, quando isso realmente não acontece, quando a falta que a pessoa sente de alguma coisa, a qual nem sempre sabe qual é, torna-se em estado de melancolia e com isso os sentimentos destrutivos vem à tona, tornando-se forte e trazendo a pessoa aos atos extremos. Por exemplo, uma pessoa que teve todos os seus sonhos esmagados e começa a sentir-se vazia, não conseguindo lutar com essa sensação frustrada, acaba por achar que sua vida não vale à pena.
                E a última visão, porém mais importante para o texto, será a teoria humanista de Carl Rogers. Para Rogers, teremos a teoria da Abordagem Centrada na Pessoa – ACP, que seria a capacidade nata do ser humano de construir suas próprias realizações, mas que no momento suicida se encontra impedido de fazê-la. O mais importante conceito da ACP, seria a Tendência Atualizante, que caracteriza-se pelo impedimento do individuo de visualizar as possibilidades de vida e caminha contra esta. 
          A capacidade do ser humano é definida de três formas por Rogers: a Autodeterminação, a Autorrealização e a Percepção da Realidade Objetiva: a primeira se caracteriza pela busca da independência, a segunda pela capacidade do ser humano de usar da autodeterminação para suprir suas necessidades e conquistar sua auto-estima, e a terceira é o que vivemos dizendo “o que é ruim pra você, pode não ser para outra pessoa e vice versa”, seria basicamente isso, cada pessoa tem subjetivamente (subjetivo é o inverso de objetivo, não é como se apresenta, mas sim como se é sentido) uma percepção de algo e não é generalizada.
                Quando você está crescendo, você muitas vezes se apega na visão de mundo das pessoas mais próximas e você, e com isso vai formando seu Autoconceito, porém com o tempo e com a vida, a pessoa vai se modificando um pouco, e formando novos conceitos. O suicida basicamente tem medo da mudança, e acha que tudo que não se encaixa na sua maneira de se ver, é de alguma forma ameaçadora e tornará a pessoa mais propensa a sensações destrutivas levando a pessoa ao extremo de não se reconhecer mais e dar um fim a própria vida, isto seria a Incongruência de Rogers. E é também com esse conceito que os voluntários do CVV vão trabalhar.
                Na sua teoria da ACP, deve haver um agente facilitador que trabalhará com três Condições: Compreensão Empática, Considerações Positivas Incondicionais e Congruência. Na primeira fase, o facilitador deve se despir de qualquer pré-conceito e empaticamente (empatia é, mais ou menos, tentar se colocar no lugar do outro e sentir o que ele está sentindo) tentar se relacionar com as experiências do outro. Na segunda fase, o facilitador vai de encontro com o sentimento do suicida em querer ser amado e aceito (quem nunca?), sendo assim, ajudando a pessoa a ver dentro de si mesma, possibilidades para aceitação. E na última fase, o facilitador deve mostrar que naquela conversa lideram a sinceridade e transparência, passando confiança à pessoa em crise.  Nessas fases é que trabalharam os voluntários da CVV, mas isso é assunto para outro post.
                Bom pessoal, o que vocês acharam das teorias? Particularmente eu acho que as três visões se ligam em certo ponto, mas que a de Rogers seria a mais abrangente. Não sei, mas acho que ninguém é todo mundo, entendem? É complicado generalizar, por isso, acho que se você individualizar cada caso, você consegue mais sucesso em ajudar alguém. Isso é opinião minha, claro. Mas e vocês? Concordam com algumas dessas teorias? Caso você já tenha vivido essa situação, alguma teoria chegou se aproximou de você? Deixa aí pra gente saber!
                Acho importante divulgar os números do CVV para alguém que por acaso caia aqui através de sites de buscas e se encontra sem respostas, ligue para o Centro: 141. Três dígitos e você poderá conversar com alguém. Aqui vai uma lista caso você queira falar com alguém da sua região: http://www.cvv.org.br/site/pdfs/postos_cvv_24h.pdf
Deixo também um vídeo final sobre o trabalho do CVV. (Importante: são cenas de série e pode ou não configurar a verdade.)
Neste vídeo, Haley se voluntaria ao CVV e atende uma menina que está tendo um momento muito ruim e precisa de alguém para conversar. Haley tenta conversar com ela e fazer com que ela perceba a vida e suas adversidades.  



VENTURELA, P. D., Prevenção de Suicídio: Um relato da capacitação dos voluntários do centro de valorização da vida (CVV) no Município de Porto Alegre. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2011, Rio Grande do Sul. 

Obs²: Todos os vídeos são em inglês, mas embaixo eu explico rapidamente o que está acontecendo no vídeo, sem transcrever todos os diálogos. 

É uma assunto que deve ser falado e: , porque é necessário! Beijo pessoal. 

Um comentário:

  1. Bom dia, somente uma pequena correção. Tu escrevestes: "O mais importante conceito da ACP, seria a Tendência Atualizante, que caracteriza-se pelo impedimento do individuo de visualizar as possibilidades de vida e caminha contra esta." O conceito de tendência atualizante não significa isto, muito pelo contrário. É uma faculdade inata do ser humano em buscar sempre suas potencias, sentido para a existência e seu crescimento como pessoa.

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