Boa noite, pessoal! Como vocês
estão? Deixa eu me apresentar... Sou Marcella, estudante de Letras, com muito
interesse nos assuntos da vida, afinal, o que melhor do que saber como ela é e tentar
explicá-la? Esse interesse me levou a cursar uma disciplina diferente da minha
área de concentração e... Cá estou!
Como
disse anteriormente, quero poder entender a vida, ou ao menos tentar, e partir
do começo seria bastante esclarecedor, não é mesmo? Então porque não começar falando
sobre alma, mente e corpo? Exatamente este o texto que meu professor passou
essa semana para que refletíssemos. Bom,
primeiramente, o texto é de René Descartes (se você é daquele que muito ouviu o
nome, mas nunca soube de quem se tratava, vem cá dá uma olhadinha na Wikipédia:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ren%C3%A9_Descartes)
correspondendo-se com a Princesa Elisabeth da Boêmia (vem cá saber também: http://en.wikipedia.org/wiki/Elisabeth_of_the_Palatinate).
Nessas cartas, a princesa questionava Descartes sobre o que seria a alma.
“Hoje, o senhor Pollot deu-me tanta segurança de vossa
bondade em relação às pessoas e, particularmente, em relação a mim, que afastei
qualquer outra consideração do espírito, salvo as que me dão algum proveito, ao
pedir-vos que me digais como é que a alma do homem (sendo uma mera substância
pensante) pode determinar os espíritos do corpo a fazer as acções voluntárias.”
Bom, mesmo com essa linguagem
bem difícil, podemos extrair que a princesa não acreditar ser possível uma
substância imaterial agir sobre a matéria. E é exatamente isso que Descartes
vai tentar mostrar à princesa durante todas as suas correspondências, inclusive
utilizará de meios matemáticos e físicos para provar a sua teoria.
Diferentemente da crença da
época, Descartes acreditava que alma e corpo eram duas coisas distintas e alma
tinha efeito sim sobre o corpo. Quando
ele disse pela primeira vez, em uma das cartas à princesa, que reconhecia que o
corpo podia instigar sentimentos a alma, mas que a própria alma sozinha podia
ter grandes efeitos sobre a vontade do corpo, a princesa simplesmente duvidou
de suas palavras. Porém, aos poucos e com argumentos sólidos, Descartes vai
conseguindo mostrar-se certo para a princesa. Em certa ocasião, Descartes
descobre que a princesa está doente e mostra-se preocupado e caridoso, assim
como em todas as suas cartas (tal devoção me deixa cismada se ali havia só
amizade mesmo) e ela lhe responde dizendo que sente-se fraca, pois seu corpo
não aguenta mais a pressão de seu dia-a-dia. Neste momento teremos então a
grande sacada de Descartes, ele conseguirá convencer a moça de que se ela
manter a paz de espírito, achando beleza nas pequenas coisas do cotidiano (os
argumentos dele são totalmente “Poliana” mesmo), tirar alguns momentos para a
meditação e manter sempre a razão à frente do rebuliço de sentimentos, ela terá
uma vida mais plena e uma saúde melhor.
“Mas parece-me que a grande diferença
entre as almas maiores e as que são baixas e vulgares, consiste principalmente
no facto de as almas vulgares se deixarem levar pelas suas paixões e de serem
felizes ou infelizes apenas conforme as coisas que lhe acontecem são agradáveis
ou desagradáveis; ao passo que as outras têm raciocínios tão fortes e tão
poderosos que, embora também tenham paixões e muitas vezes até mais violentas
que as do comum, a sua razão permanece, todavia, sempre a mestra e faz com que
as próprias aflições as sirvam e contribuam para a perfeita felicidade que já
gozam nessa vida.”
Resumo da ópera: se você é
sentimentalista, você é patético (como diz Vygotsky, em “A Educação Estética”),
mas se você é racional e realista, aí sim você é uma alma elevada. Não que a
gente precise concordar com isso, claro. Estamos no século 21, vale lembrar, e
Descartes é beeem mais velhinho que a gente (1596 - 1650). Bom, daí em diante a
princesa realmente vai vendo que ao ter o controle de seus pensamentos e
sentimentos, ela consegue se sentir melhor, a saúde dela fica mais estável e
então temos o fim das cartas (gostaria de saber o motivo!).
Enfim, acho que a conclusão que
eu cheguei sobre “Medicina dos Afectos” foi que se você souber controlar a sua
alma, estabilizá-la, manter-se são e acreditar, você verá melhorias
significativas ao seu corpo e em eventuais enfermidades. O importante é saber
controlar a mente e a alma. Você sabe como fazer isso? Você acha que controla a
sua? Deixa o seu comentário aí então pra gente saber!
Até semana que vem, gente!
Beijos!
Obs: Eu fiquei EXTREMAMENTE
curiosa para saber se essas cartas foram reais ou se Descartes tinha
uma síndrome meio Fernando Pessoa e escrevia cartas entre seus heterônimos (que
todos eram ele mesmo, no final das contas, com ressalvas), fui atrás de saber
sobre isso. Se você sabe ou não se importa de tentar ler em inglês aqui vai um
link que fala sobre o papel dela nas cartas: http://plato.stanford.edu/entries/elisabeth-bohemia/).
Obs²: O link do texto inteiro
você acha aqui: https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=sitessrcid=ZGVmYXVsdGRvbWFpbnxpbnRyb2R1Y2FvcHNpfGd4OjM2Mjg5MDQ2OTI3ODRlMjY
e caso você esteja interessado em adquirir o exemplar completo: CARDOSO, A. FERREIRA,
M.L.R. (2001) Medicina dos Afetos. Correspondências entre Descartes e a
Princesa Elizabeth da Boêmia. Lisboa: Editora CFUL/Celta Editora.
Obs³: Muito interessante saber que vários desses
pensadores, filósofos, escritores, sociólogos que estudamos tiveram papeis
importantes nas cortes reais.
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