Bom dia pessoal,
como estão nessa segunda?? Feriadão prolongado, uma delícia! Espero que tenho
curtido ou descansado muito!
Como
prometido, estou voltando hoje para falar sobre o trabalho do CVV (Centro de
Valorização da Vida); os valores da instituição e também sobre os voluntários.
Você sabia que não precisa ser psicólogo para poder se voluntariar ao CVV??
Pois é, legal né? As pessoas serão treinadas para agir sob a filosofia que
acompanha o Centro e aprenderão bastante para depois prestar esse serviço a
sociedade! Realmente legal essa ideia de poder fazer mais para o outro, talvez
até salvar uma vida, não é mesmo?
Então, vou
explicar hoje como é o funcionamento do CVV e vai que você aí se interessa!
Para começar, é preciso entender que o CVV é uma sociedade civil sem fins
lucrativos, que foi considerada como utilidade pública com decreto-lei e tudo.
O serviço prestado não escolhe segundo nenhum critério quem vai prestar ajuda,
simplesmente ajuda toda e qualquer pessoa, 24 horas por dia, 7 dias por semana,
sem pausa para feriados ou finais de semana, durante todo o ano! O número
brasileiro para contactar é 141 e você também pode falar por um chat na página
web do Centro. Ou seja, não tem desculpa para não ligar. Eu sei que existem
pessoas (eu sou uma delas) que tem muita dificuldade e vergonha em falar com
pessoas que não conhece, mas sabe qual é o melhor? Você não precisa se
identificar e saiba que será tudo completamente sigiloso. Tá fácil!
Um importante
fato para entender o início de trabalhos como o CVV foi por conta de um triste
acontecimento na Inglaterra, no qual uma menina que não tinha com quem
conversar, se matou após ter a primeira menstruação, pois ela não entendia o
que era aquilo e achava que estava com um DST. É até difícil de conceber que
isso tenha acontecido, né? Pois é, um padre também não aceitou muito bem e
fundou um trabalho parecido com o do CVV que depois viria a ser a base do
Centro.
Vocês lembram
da teoria de Rogers que eu coloquei aqui semana passada? Se não, cliqueaqui. É com base nessa teoria é que os voluntários serão capacitados
para trabalhar no CVV. Bom, a capacitação do voluntário será dividida em dois
momentos, que no texto estudado é dividido por módulos.
MÓDULO 1: serão quatro temas que vão buscar, de acordo com Rogers,
a Abordagem Centrada na Pessoa. Primeiro, será sobre o conhecimento do trabalho
que o CVV desempenha; Segundo, o perfil da pessoa que procura o CVV, como suas
motivações, sentimentos destrutivos das pessoas que pensam em suicídio e
começaram a ser introduzido a empatia nos voluntários; Terceiro, o voluntário
começará a conhecer a si próprio e aprenderá a lidar com o outro, tendo
sinceridade, humildade, flexibilidade, calor humano a oferecer, ser disponível
e acima de tudo, saber escutar sem
julgar de acordo com suas crenças; Quarto, a relação de ajuda.
"A relação de ajuda deve acontecer em um clima de acolhimento, sendo à outra pessoa é oferecida oportunidade de reflexão para que possa administrar sua vida da forma que melhor lhe convier. A pessoa é totalmente livre para interromper o contato no momento que desejar, ou mesmo tirar a própria vida sem receios de interferência indesejada."
Isso
mesmo que você leu, no quarto tema será preciso que o voluntário entenda que não
cabe a ele interferir nas escolhas de quem está ligando e nem forçar a pessoa a
falar caso não queira. Esse conceito é um pouco difícil de entender, porque é
absurdo aceitar que você pode deixar uma pessoa se matar mesmo que você tenha a
chance de aconselhar a não fazer. Mas pensem, conselho é se meter na vida do
outro e mandar que ele faça como você faria e não dar a independência da pessoa
de achar as respostas nela mesma, então segundo Rogers, encontrar o seu caminho
é a melhor resposta para o ser humano, porque ele é perfeitamente capaz de
fazê-lo, no momento em que a crise se aflora, as pessoas ficam temporariamente
impedidas de enxergar essa capacidade própria e é preciso que o voluntário
trabalhe com a crise da pessoa para que ela mesma encontre a sua saída.
Entenderam agora? Menos pior?
Assim,
teremos o MÓDULO 2. Este será o
momento da prática. No primeiro tema, chamado RolePlaying, um candidato assume o papel de uma pessoa que está
ligando e todos os outros acompanham silenciosamente o relato da pessoa. Depois
será proposto um diálogo afetivo sob o que foi sentido por cada um. Depois
teremos o estágio 1, busca trazer os candidatos a uma preparação emocional para
os atendimentos que farão e aprender que não devem misturar seus sentimentos,
mesmo que sejam similares, ao dos atendidos. Naquele momento, você deve
esquecer o mundo exterior e focar somente na pessoa que precisa de ajuda. No
estágio 2, serão apresentados aos candidatos as ligações superficiais que não demonstram
aquela carga emocional profunda, mas também é preciso que o candidato entenda
que também pode ser que a pessoa esteja estudando o terreno antes de passar
para os assuntos profundos. Também deve se dar atenção a ligações mudas ou
silenciosas, encorajando a pessoa a procurar ajuda quando achar ser ideal e
aprender a finalizar ligações sem ser rude, sugerindo a pessoa que ligue outro
dia. No terceiro estágio, será ensinado ao candidato como agir no caso de a
pessoa que está ligando estar sob o efeito de drogas e pedir que faça contato
em outro momento, mas não demonstrar nenhum sentimento de reprovação. No quarto
estágio, será direcionado as “perdas” das pessoas. Deverá ser exercitada a paciência
do voluntário, pois a pessoa tende a ser repetitiva. Também nesse estágio é que
será tratado a conduta do voluntário em relação a conteúdos sexuais. No último
estágio, o 5, trata sobre a forma de se expressar de quem liga.
Para
finalizar, será escolhido o horário de plantão do voluntário e assinado o Termo
de Trabalho Voluntário e receberá as chaves do posto.
Aqui na Ana Maria Braga, no Mais Você, temos uma matéria bem feita sobre o CVV e sua filosofia:
Bom
pessoal, é com base nesses momentos de capacitação que irão trabalhar os voluntários.
E assim trabalha o CVV. Acho que tudo se resume a aceitar, saber escutar, não
julgar, entender o próximo e não confundir o problema dos outros com o seus e
seus “saberes de mundo”. E você, o que acha do trabalho da CVV? Acha que
conseguiria ser voluntário? Concorda ou discorda com a filosofia de não
aconselhamento?
Deixem
sua opinião e até mais pessoal! Beijos!
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